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domingo, 1 de julho de 2012

Hipótese de bolha imobiliária no País é descartada pelo setor



A hipótese de uma bolha imobiliária no Brasil foi descartada ontem por executivos de incorporadoras, fundos de investimento e bancos, na capital paulista, em evento para debater as oportunidades e os riscos do setor. As opiniões dos representantes do mercado vão na contramão do alerta feito nesta semana pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês), que apontou distorções no mercado brasileiro causadas pelo forte ciclo de alta no preço dos imóveis.
Na avaliação do diretor-executivo da gestora de recursos GP Investments, Antônio Ferreira, o Brasil não tem características que sinalizem a formação de uma bolha. Ferreira observa que a maioria dos negócios com imóveis no País é realizada por pessoas que buscam moradia, não ganhos com aluguel ou revenda, que favorecem a especulação, como ocorreu na bolha dos Estados Unidos. Além disso, os financiamentos nos bancos privados brasileiros representam cerca de 55% do valor dos imóveis, o que indica um nível de endividamento moderado das famílias ante os EUA, onde esse valor chegava a 110%, comparou, durante encontro realizado pelo Centro de Tecnologia de Edificações (CTE) nesta manhã, em São Paulo.
O diretor da GP também acredita que a escalada do preço dos imóveis está fundamentada na ampliação do total de consumidores capazes de adquirir uma casa própria nos últimos anos, beneficiados pela melhora da renda e da oferta de crédito. "O preço subiu, mas tem fundamento na demanda", afirmou Ferreira. Na avaliação do diretor de Relações com Investidores da incorporadora Eztec, Emílio Fugazza, a escalada dos preços também está relacionada ao aumento dos custos para construção das habitações. "O preço subiu, mas as margens de lucro das empresas de construção caíram", disse, atribuindo o cenário à alta dos custos com mão de obra e terrenos.
Tendência
A tendência é que o mercado imobiliário continuará em expansão e que o apetite dos bancos pelo crédito habitacional seguirá crescente, na opinião do gerente-geral de crédito imobiliário do Banco do Brasil em São Paulo, Francisco Martinez. Segundo ele, o crédito imobiliário deve atingir o montante de R$ 1,3 trilhão até 2020 no País, o que significa sair de uma fatia equivalente a 5% do Produto Interno Bruto (PIB) atualmente para 16% nos próximos oito anos, patamar semelhante ao já verificado em países como Chile e México. O executivo lembra que o Brasil tem um déficit de 7 milhões de moradias, verificado principalmente entre as classes de renda média e baixa, o que caracteriza a demanda reprimida. "O sonho da casa própria continua em primeiro lugar na mente dos brasileiros", disse.

DCI, 28/jun


terça-feira, 22 de maio de 2012

Com veículos na mira, governo lança novo pacote


Com veículos na mira, governo lança novo pacote
O governo lançou ontem mais um conjunto de medidas para tentar estimular a economia, com ênfase no setor automotivo, em meio ao agravamento da crise internacional. Ao lado do ministro do Desenvolvimento, Indústria e do Comércio Exterior, Fernando Pimentel, e do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos automóveis, até 31 de agosto, e do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) cobrado nos financiamentos para pessoas físicas, além da liberação de R$ 18 bilhões em compulsório dos bancos para que eles aumentem a oferta de crédito para quem quiser comprar veículos. A expectativa é de redução de 10% nos preços de tabela dos carros populares, de até mil cilindradas. O presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, afirmou que, no que depender dos bancos, “não faltará liquidez para o financiamento do setor, seja no comércio de veículos, seja no aumento da sua produção”. Ele disse que incentivar a indústria automobilística tem muitos efeitos positivos e que o primeiro, e o mais visível, é a geração de empregos de alta qualidade.